A busca por procedimentos estéticos minimamente invasivos cresceu muito nos últimos anos, especialmente com a popularização da harmonização facial.
Entre dúvidas comuns de quem deseja atuar ou buscar esses tratamentos está a seguinte: esteticista pode fazer harmonização facial?
A resposta depende de vários fatores, incluindo a legislação vigente, a complexidade do procedimento e a formação do profissional.
Formação do esteticista e atuação profissional
O esteticista é um profissional da área da saúde com formação técnica ou superior em Estética e Cosmética.
Sua atuação está regulamentada pela Lei nº 13.643/2018, que determina as competências e limitações desse profissional.
Em linhas gerais, o esteticista pode atuar com tratamentos faciais e corporais que envolvam recursos terapêuticos manuais, cosméticos, eletroterápicos e outros meios não invasivos.
Ou seja, o esteticista pode realizar procedimentos voltados ao cuidado com a pele, prevenção do envelhecimento e melhora da aparência, desde que não envolvam intervenções médicas ou técnicas invasivas.
Harmonização facial
A harmonização facial é um conjunto de procedimentos estéticos que visam melhorar o equilíbrio e a simetria do rosto.
Entre as técnicas mais conhecidas estão a aplicação de toxina botulínica (Botox), preenchimentos com ácido hialurônico, fios de sustentação, bioestimuladores de colágeno e microagulhamento avançado.
Boa parte desses procedimentos é considerada de competência médica, odontológica ou biomédica, pois envolve a injeção de substâncias em camadas profundas da pele e risco de complicações se mal executados.
Portanto, a maioria das técnicas de harmonização facial só pode ser realizada por profissionais legalmente habilitados, com registro em conselho profissional específico, como médicos dermatologistas ou cirurgiões-dentistas.
O que o esteticista pode ou não fazer na harmonização facial
Apesar das limitações, o esteticista pode participar de etapas complementares do processo de harmonização facial, desde que dentro de sua área de atuação.
Isso inclui a preparação da pele com limpeza de pele profunda, aplicação de máscaras revitalizantes, uso de equipamentos de radiofrequência e LEDterapia, entre outros.
Também é possível atuar na manutenção da pele após os procedimentos injetáveis realizados por médicos, auxiliando na recuperação da região tratada com técnicas autorizadas.
No entanto, qualquer aplicação de substâncias injetáveis está fora da competência do esteticista.
É nesse contexto que surgem muitas dúvidas também em relação à flacidez após prótese de silicone, já que o paciente tende a buscar soluções estéticas menos invasivas com esteticistas.
Porém, casos assim também exigem avaliação profissional adequada e podem exigir tratamento médico complementar.
Segurança em primeiro lugar
Realizar procedimentos fora da área de competência pode acarretar riscos sérios para o paciente e o profissional.
Quando um esteticista se propõe a fazer procedimentos que envolvem agulhas, preenchedores ou toxinas, ele não apenas atua fora da lei, mas também coloca em risco a integridade da pessoa atendida.
A harmonização facial exige conhecimento profundo da anatomia facial, farmacologia e possíveis reações adversas.
A má aplicação pode causar hematomas, necroses, paralisias e até perda de visão.
Por isso, é essencial que cada profissional respeite os limites legais da sua formação e que o cliente busque sempre referências e credenciais antes de realizar qualquer intervenção estética.
Atuação em conjunto
Mesmo sem executar diretamente a harmonização facial, o esteticista desempenha um papel importante na jornada estética dos pacientes.
Ao trabalhar em parceria com médicos e outros profissionais habilitados, é possível oferecer um atendimento mais completo, seguro e alinhado com as necessidades individuais.
Além disso, o esteticista pode orientar sobre cuidados diários com a pele, prevenir o envelhecimento precoce e indicar os tratamentos mais adequados para manter os resultados de procedimentos mais avançados.
A integração entre as áreas é o que garante uma estética eficaz, ética e responsável.